Rowan Eleanor Blanchard (Los Angeles, 14 de Outubro de 2001) é uma atriz e cantora americana. Seus pais são Mark e Elizabeth Blanchard-Boulbol, dois professores de ioga. Iniciou sua carreira os 5 anos, atuando em comerciais. Em 2010, ela participou do filme The Back-up e fez parte do elenco de Dance-A-Lot Robot da Disney Junior interpretando Caitlin. Em 2011 foi escolhida para desempenhar o papel de Rebecca Wilson em Spy Kids: All the Time in the World. No final de janeiro de 2013, Blanchard foi escolhida para interpretar Riley Matthews na série original do Disney Channel Girl Meets World.



Tradução: Entrevista de Rowan para a Wonderland Magazine

Rowan está estampando a capa da revista Wonderland de março. Foram disponibilizadas online uma entrevista na íntegra e uma sessão de fotos. Confira as fotos em nossa galeria e a tradução da entrevista:

    

Aos 14 anos, Rowan Blanchard é uma criança da Disney com consciência.

Não é todo dia que você sente que está recebendo lições de vida de alguém que acabou de entrar na adolescência, mas Rowan Blanchard não é uma adolescente comum. Estrela da série da Disney Girl Meets World desde 2014, hoje em dia Blanchard também é uma escritora, ativista política e exemplo para 3,5 milhões de seguidores no Instagram. Aos 14 anos – uma idade onde a maioria de nós tomava bebidas baratas direto da garrafa num parque – Blanchard está ocupada lendo o trabalho de feministas como Gloria Steinem e Roxanne Gay, e eloquentemente falando sobre igualdade de gênero em todos os lugares, seja no Twitter ou na ONU. O resto do tempo, ela me assegura, ela pode ser encontrada dançando Beyoncé em seu quarto. Músicas de escolha: “Flawless” para quando ela “precisa ter uma atitude egocêntrica”, “Haunted” quando ela está se sentindo “dramática e intensa”.

É fácil ver como a adolescente criada em Los Angeles construiu uma legião enorme de fãs jovens e amorosos; ela é honesta, bem-apessoada e corajosamente engaja em assuntos que importam. Seguindo o passo de antigas estrelas da Disney, como Demi Lovato e Miley Cyrus, ela se tornou uma defensora muito necessária dos direitos LGBTQ, e recentemente tweetou que ela mesma se identifica como queer. Em Dezembro, ela escreveu um ensaio para a revista Rookie, administrada pela sua amiga Tavi Gevinson, que Blanchard descreve como uma “pessoa realmente encantadora e completamente compreensiva”. Intitulado “Sorry Not Sorry”, o ensaio traça a tendência de Blanchard de ser apologética demais – um mau hábito que ela vê como sintomático de ser mulher. “Adolescência, especificamente adolescência feminina, é confusa”, ela escreve. “Eu tratei, mais especificamente, os sentimentos e egos masculinos como superiores e mais frágeis do que os meus.”

Pelo telefone, de Londres para o oeste de Los Angeles, eu pergunto a Rowan por que ela decidiu escrever Sorry Not Sorry. “Eu acho que eu senti uma necessidade de escrever aquele texto porque eu estava cansada de me desculpar por coisas pelas quais eu realmente não deveria me desculpar”, ela diz, com a exasperação de alguém de na casa dos 30. “Eu vejo isto agora com a minha irmã mais nova e isso me assusta, porque eu sei que nessa idade, quando eu tinha 12 anos, eu literalmente gastava 45 minutos passando maquiagem no meu rosto todo, mesmo não querendo, mas porque eu genuinamente pensava que se alguma pessoa me visse com olheiras ou um cravo, eu corria o risco de ofendê-la. Você tem que dizer ‘Me desculpe’ por coisas que você não se arrepende, especialmente para homens. Quando escrevi aquele texto para a Rookie, foi uma tentativa de fazer outras garotas se aceitarem, mas foi sobre eu mesma tentando parar de me desculpar, também.”

Sem precisar dizer, o ensaio tornou-se viral. Seja a admissão de Blanchard que, “O que parece o fim do mundo, embora válido, não será (normalmente) o fim do mundo em uma semana. “ – ou o seu mantra “saiba que você é o bastante para si mesmo” – algo em suas palavras marcou garotas de todos os lugares. Blanchard usa redes sociais para compartilhar mensagens similarmente empoderadoras; veja seu Instagram para fotos de seu caderno, rabiscado com coisas como “vá fazer coisas com as quais você sonhou” e “quem se importa com o que homens de meia-idade pensam”, emolduradas de selfies fofas, naturalmente. Em Outubro, ela até mesmo se juntou com o Instagram para o #MyStory: uma campanha que encoraja jovens meninas a discutir sobre suas experiências pessoais.Também envolvidas estavam a fotógrafa Petra Collins, que fotografou Blanchard para Wonderland e a artista  Tatyana Fazlalizadeh, cujo trabalho aborda assédio nas ruas.

“Eu acho que a mídia social é uma ótima ferramenta para as pessoas da minha idade, particularmente para as meninas. Minha mãe começou a usar Instagram e Twitter para mim quando eu tinha 9 anos e eu, tipo, tinha seguidores, mas não sabia mexer em nada. Eu só comecei a usar Instagram e Twitter eu mesma quando fiz 12 anos. Eu sinto que foi lá que eu comecei a achar coisas que me afetavam, particularmente política. Eu aprendi  através de redes sociais que nós frequentemente falamos sobre os Estados Unidos como se fosse um lugar totalmente igualitário, mas nem sempre esse é o caso. Você pensa que certas coisas só acontecem em países de Terceiro Mundo ou lugares bem longe de onde você mora, mas através das redes sociais eu percebi que há coisas que estão acontecendo bem na minha frente. “

Blanchard confessa que, apesar de ser um ótimo lugar para se educar, ter contas no Instagram e no Twitter desde tão jovem tem seus desafios, como – por exemplo – a insondável pressão de ter 3,5 milhões de seguidores. “A parte dura disso é que você é sujeito a opinião de várias pessoas quando você não necessariamente pediu por elas,” diz ela, adicionando que é algo que ela sente que acontece com várias meninas especificamente. “A parte ruim das redes sociais é que elas se tornam mais um lugar para tirar sarro de meninas e outro jeito de meninas serem  diminuídas; a parte boa é que também é uma maneira para as meninas –  especialmente meninas de cor, por exemplo – darem suas opiniões e ter algum controle.”

Eu pergunto se teve algum momento em que Blanchard sentiu que estivesse sofrendo abuso online e ela não tem que pensar por muito tempo para me dar uma resposta. Em uma série de tweets em Janeiro, Blanchard escreveu: “Durante toda a minha vida, só gostei de meninos. Porém, eu não quero me rotular como hétero, gay ou que seja, então eu não vou me dar rótulos para seguir…”. Ela continuou com: “Estar aberta a gostar de qualquer gênero no future é o porquê de eu me identificar como queer.”.  A reação ruim contra essa confissão a surpreendeu – algumas respostas foram praticamente homofóbicas, diz Blanchard, outros comentários totalmente falsos. “Eu não me importo mais com isso agora, mas ainda perceba que estava permitindo que outras pessoas comentassem algo que é bastante pessoal. No dia que tweetei aquilo, foi definitivamente assustador ver pessoas comentando sobre coisas que literalmente não tem nada a ver com elas.”

A fama pode “abrir uma lata de minhocas”, diz ela. “Ela permite que as pessoas me critiquem, tomem posse do meu corpo, do meu rosto, dos meus traços. Eu tenho que parar de ler comentários porque muitos são agradáveis, mas quando você vê um maldoso do tipo ‘Ah, você tá feia’, é ele que vai te marcar. Eu tento só responder as pessoas quando elas dizem alguma coisa positiva, o que é difícil porque uma parte de mim quer muito chamar a atenção das pessoas quando elas fazem coisas ruins. Mas eu estou tentando, eu acho, reestruturar o Instagram e o Twitter como lugares onde, sim – você pode se sujeitar às opiniões das pessoas – mas você também pode pensar, ‘Eu vou usar essa palavra ou imagem de novo, como um protesto’, porque se você simplesmente continuar a fazer o que está fazendo, as pessoas vão perceber você não está fazendo por elas.”

Falando com Blanchard, o que rapidamente fica claro é que sua vida online é inseparável de sua vida off-line, e que ela concorda que crescendo com essas plataformas, sua geração não conhece outra maneira de viver.  Dito isso, não é a coisa mais importante.  “Eu vejo que um monte de garotas me agradece e diz: ‘Eu quero mudar o mundo, mas não tenho uma plataforma… ’ Eu acho que se tem algo que eu quero, é menos autoculpa entre meninas por não serem capazes de ‘escrever uma série sobre isso’ ou ‘escrever um filme sobre isso’ ou ‘escrever um artigo sobre isso’. Quando você é mulher, todas essas coisas estão contra você, então apenas existir é uma forma de protesto. Você não tem que fazer mais do que isso; todas as outras coisas são supérfluas.”

Fonte: Wonderland Magazine

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