Rowan Eleanor Blanchard (Los Angeles, 14 de Outubro de 2001) é uma atriz e cantora americana. Seus pais são Mark e Elizabeth Blanchard-Boulbol, dois professores de ioga. Iniciou sua carreira os 5 anos, atuando em comerciais. Em 2010, ela participou do filme The Back-up e fez parte do elenco de Dance-A-Lot Robot da Disney Junior interpretando Caitlin. Em 2011 foi escolhida para desempenhar o papel de Rebecca Wilson em Spy Kids: All the Time in the World. No final de janeiro de 2013, Blanchard foi escolhida para interpretar Riley Matthews na série original do Disney Channel Girl Meets World.



Rowan na revista Flaunt de primavera

Rowan está na edição de primavera da Flaunt Magazine. Rowan deu uma entrevista onde ela fala sobre feminismo interseccional e autoconfiança, publicada no site deles. Acompanhando a entrevista, foi divulgado também um ensaio fotográfico. Confira as fotos e a entrevista traduzida abaixo:

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Rowan Blanchard compartilha um segredo poderoso.

E o futuro fica mais brilhante por causa disso.

Quem é ela? De onde ela vem? Onde ela obteve suas humanas, porém invencíveis habilidades?

Assim começa Mulher Maravilha, a história de uma princesa Amazônica que deixou a vida eterna e a paz na Ilha Paraíso para ir para os Estados Unidos em 1941 e ajudar no esforço de guerra. Como Atena – uma das deusas gregas referidas na história de sua criação – ela nasceu da mente de seu escritor, William Moulton Marston, um psicologista e advogado formado por Harvard, inventor do detector de mentiras e feminista ardente.

Rowan Blanchard – a atriz e ativista de 14 anos que interpreta a precoce Riley em Girl Meets World – não é uma Amazona com um laço mágico, nem usa uma fantasia minúscula com braceletes à prova de balas como acessório. Mas ela tem sim poderes que ela está usando ao máximo: inteligência, honestidade e disposição a dar sua opinião.

“Quando eu escrevi o ensaio sobre feminismo interseccional, aquilo mudou as coisas para mim”, Blanchard relata enquanto toma uma xícara de chocolate quente. Nós estamos conversando numa mesa do lado de fora de um restaurante no Vale de São Fernando, num dia quente de Janeiro. Blanchard está vestindo meia-calça, uma saia evasê, um suéter rosa, e tem adesivos de estrelas prateadas nos cantos de cada olha. Ela é animada quando fala, jogando suas mãos no ar quando indignada e passando pelos cabelos quando desapontada.

 Nós estamos discutindo influência e pressão – a espada de dois gumes que é ser uma inteligente e sincera jovem mulher nos olhos do público. Desde quando postou sue ensaio ano passado, Blanchard foi nomeada co-Feminista Celebridade do Ano pela Ms. Foundation for Women. Na última véspera de ano novo, ela postou um vídeo com uma legenda discutindo sua batalha com depressão e amor próprio. Em Janeiro, um ensaio detalhando seu relacionamento com a desculpa, “Sorry, Not Sorry”, foi publicado na revista Rookie, ganhando reconhecimento de outra jovem mulher inteligente e vocal: Emma Watson. Um dia depois ela postou um tweet que causou com que a mídia fofoqueira ficasse louca alegando que ela tinha “saído do armário.”

Quando eu pergunto o que ela quis dizer com o tweet, Blanchard diz responde de forma sucinta: “Eu definitivamente não me considero cem por cento hétero, mas eu não me sinto atraída só por mulheres. Eu não gosto da ideia de ter que passar o resto da minha vida com uma palavra me definindo.”

Em 1915, Marston casou-se com Elizabeth Holloway. Ela era uma mulher brilhante e determinada que, após o pai se recusar a pagar a mensalidade da Boston University, vendeu livros de receitas o verão inteiro para poder ganhar o dinheiro. Ela e Marston viraram advogados no mesmo ano. Em 1925, Marston se apaixonou por uma das suas estudantes, uma jovem mulher chamada Olive Byrne, sobrinha de Margaret Sanger – a ativista de controle de natalidade que fundou a organização que virou Planned Parenthood. Ela foi morar com Marston e Holloway, subsequentemente tendo dois filhos com Marston. Byrne ficava em casa cuidando dos seus filhos e os de Holloway, permitindo que Holloway seguisse sua carreira. Byrne pôs Marston nos negócios de histórias em quadrinho, após um ensaio que ela escreveu endossando suas HQs pelo potencial educativo delas. Max Gaines, um editor do que iria se tornar DC Comics, viu o artigo e contratou Marston como um consultor. Estimulado por Holloway, Marston teve a ideia de criar uma super-heroína que dominaria pela força do amor.

Em um post do Instagram no Ano Novo, Blanchard escreveu, “Ao mesmo tempo em que me tornei mais indulgente comigo mesma e minhas emoções, eu me tornei mais indulgente dos outros, especificamente outros adolescentes. Eu percebi que é muito estranho crescer no dia de hoje e que talvez eu não devesse esperar que outros adolescentes saibam exatamente o que querem, se eu mesma não sei.” Blanchard está ansiosa para descobrir o que quer. No seu ensaio ela descreve o feminismo interseccional: “Enquanto mulheres brancas ganham 78 centavos por dólar, mulheres nativo-americanas ganham 65 centavos, mulheres negras ganham 64 centavos, e mulheres hispânicas ganham 54 centavos.”

Quando eu pergunto como ela se interessou na interseccionalidade, Blanchard diz, “Quando eu comecei a me chamar de feminista, foi bem simples para mim, foi tipo, ‘Eu acredito em igualdade, eu sou feminista,’ e então eu encontrei pessoas que diziam que não eram feministas, o que era confuso. Olhando por outra perspectiva, eu pensei ‘Qual é a raça dessa pessoa?’ Na maioria das vezes elas eram pessoas de cor, e aí você vê as coisas e pensa ‘O feminismo não é muito inclusive das pessoas de cor, então se eu fosse uma mulher de cor – que eu não sou – talvez eu não estaria tão interessada no feminismo se ele não me fosse acolhedor.”

Marston faleceu em 1947. Enquanto ele estava vivo, a Mulher Maravilha tornou-se a segunda heroína de HQ a aparecer diariamente em um jornale. Em 1954, um psiquiatra chamado Fredric Wertham declarou que quadrinhos estavam arruinando crianças. Ofendendo principalmente a Mulher Maravilha, ele testemunhou perante o Congresso, que subsequentemente determinou que: “O tratamento de histórias de romance devem enfatizar o valor do lar e a santidade do casamento.” Nos anos 70, a bondade e a força da Mulher Maravilha foram substituídas por exotismo e excitação. O quadro serial “Mulher Maravilha ao Longo da História” foi substituído por “Casamento à Moda”.

 Holloway viveu até seus 100 anos, vivendo mais do que Byrne, com quem ela ficou até sua morte em 1990. Apesar do progressismo, Marston, Holloway e Byrne levaram a natureza secreta de seu relacionamento para seus túmulos – assim como outro segredo: a verdadeira inspiração para a heroína foi a tia de Byrne, a ativista radical de controle de natalidade Margaret Sanger. Em 1945, Marston disse, “Francamente, a Mulher Maravilha é uma propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deveria, acho eu, dominar o mundo.”

Demorou 70 anos, mas se Blanchard é um sinal, talvez estejamos finalmente chegando a um lugar onde mulheres e amor podem dominar o mundo, com ou sem poderes secretos. Como diz Blanchard: “Eu acho que talvez isso seja um segredo em si: saber que você tem você mesmo como sua própria arma secreta.”

Fonte: Flaunt Magazine

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